sábado, 23 de novembro de 2019

A desconhecida

Ninguém sabe como é a morte, ela usa vários disfarces. Pode, por exemplo, chegar se anunciando com uma doença incurável, mas pode chegar sem aviso num acidente. Ninguém consegue explicar o que sente quando ela aparece para alguém próximo. E ninguém, além de Jesus, voltou pra dizer como é (ou pode ser) depois do encontro com ela. É uma desconhecida.

A resposta da ciência não agrada, define a morte apenas como o fim, onde as células não se recuperam mais, o organismo não tem energia e o ser deixa de existir. Enquanto a resposta religiosa traz alento com promessa de recomeço e vida eterna. Mas as diferenças de credo atrapalham no convencimento e não permitem certezas, apelam invariavelmente para a fé.

Quanto a mim, sou Cristão e acho as respostas de Jesus sobre como viver a vida e jamais perdê-la, as mais belas e sensatas. Prefiro o alento da fé e por isso tento alimentá-la cotidianamente, mas confesso que não é fácil. A cada perda nesta vida, uma resposta fica pendente e torna necessário aumentar a fé.


Vejo a morte de um famoso como Gugu Liberato e a repercussão que isso gera, com milhões de pessoas comentando. Em sua grande maioria, as pessoas pedem a Deus que conforte os parentes e, alguns vão além, trazem fé professando certezas do tipo: ele agora está melhor, brilha no céu, tá do lado de Deus... Uma infinidade de frases batidas, poéticas, repetidas e rasas. Não obstante, claro, sempre recheadas de verdadeira boa intenção!

Mas eu me pergunto: que Deus vai consolar a família?

O de Jesus, que já se apresentou e trouxe suas respostas sobre a morte... Ou o dos Judeus, que ainda não tem feições conhecidas? Ou o dos muçulmanos que, além de não ter feições definidas tem alguns inquirimentos diferenciados? E se é Jesus, é aquele filho de Maria Santíssima e que chamou tantos amigos à morada do Pai (os santos), ou aquele Jesus que não permite olhar para sua mãe com devoção, e vai castigar quem fizer isso? Será ainda aquele Deus que te reenvia ao mundo em outro corpo e com a memória apagada, para tentar fazer o que você ficou devendo (ainda que você não saiba o que foi)? Sim, são muitas interrogações.

Tudo isso me parece a definição de um povo que não sabe muito bem o que dizer sobre a morte. Que não amadureceu a fé nem se convenceu da resposta científica e empírica sobre nossa existência e o fim ou o recomeço dela. Todos temos teorias. Mas e a certeza?

Para cada morte que vi, eu li e ouvi os mesmos consolos. Mas o que aconteceu? A morte foi bem aventurança ou perdição eterna? Foi apenas o fim? Foi um recomeço desconhecido? Você só conseguirá responder com a sua fé. A ciência não cansa de buscar novos fatos e as religiões desistiram deles, para apenas definir como mistério.

Volto a dizer: minha melhor escolha é alimentar a fé, e faço isso observando a crença e a descrença de outras pessoas. Faço isso me reunindo com pessoas que professam a mesma fé que eu, faço isso falando com aquele que acredito ser Deus. E ele responde à minha consciência, me promove instantes de uma paz inquieta, que me dá paciência para lidar com as próximas dúvidas.

Pela minha fé, apresento minhas dores e as do mundo ao Deus que venceu a morte. Mas não ouso pedir isso sem antes pedir mais fé! E que ela seja madura, que não seja hipócrita, que não seja da boca pra fora. Que minha fé renasça a cada dia como fruto das minhas dúvidas, que eu assista cada morte como uma aula sobre a vida.

Que eu aprenda que tudo passa e eu preciso mesmo ter fé, para plantar sementes de amor e dar frutos de caridade, porque não há outro destino a não ser esse mergulho definitivo no mar de dúvidas chamado de morte, onde o único salva vidas conhecido ensina a fazer assim.

Obrigado por sua leitura!

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