sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Alguém espera por mim?

Apesar do título, esta não é uma postagem de conteúdo romântico ou apaixonado, todavia tem sim um tom nostálgico em meu coração. Ando com saudade de me colocar por onde já andei e achava que não pararia até alcançar meu ápice, mas acabei parando pelo caminho, bem antes de qualquer sucesso.

Estou falando da minha presença aqui, no meu espaço virtual. No blog, no YouTube, na web rádio, gerando conteúdo. Falando, entretendo, provocando. Isso é o filé mignon da minha existência, é certamente o dom depositado em mim pelo criador. Eu gosto e me realizo quando executo uma obra de comunicação e, embora faça isso diariamente no rádio tradicional, só aqui, nos meus domínios é que posso me expandir, falar além do script, acertar sem medo de errar.


Descobri que poderia alcançar essa expansão no dia em que comprei o primeiro computador e achei o Orkut muito pequeno. Queria blog, domínios personalizados, canal no YouTube, web rádio, podcast e tudo o que fosse possível. Ainda sem saber usar todas as ferramentas, fui criando, reuni uns poucos seguidores e, por um breve momento tive, mesmo que desajeitado, tudo aquilo que desejava para transbordar um pouco dos meus incontáveis pensamentos possivelmente úteis à humanidade.

Só que eu deixei de ter tudo isso. 2019 me reservou algumas surpresas desagradáveis... De perdas em família a queda de moto, passando por maus negócios e quebras de equipamentos, me aconteceu um pouco de tudo. Fiquei sem computador, vendi moto e desativei hospedagens de sites (por necessidade de segurar verbas). Tentei trabalhar mais para recuperar, e fiquei com menos tempo também. Portanto foi um ano impróprio para minha desejada e venerada presença ativa na rede. Por uma questão de preservação do seu tempo, encerro aqui o resumo dos problemas que me afastaram dessas bandas.

Agora, eu venho aqui para dizer que estou quase pronto para voltar, inclusive com novos projetos. Mas como trata-se de um retorno a um público que ainda estava longe de orbitar na casa dos milhares, eu quero saber se sobrou alguém aí pra me receber de volta. Uma pessoa para ler meus textos, ouvir minha rádio, assistir meu canal no YouTube. É... Um, dois ou três amigos. Alguém espera por mim?

Vou caprichar na interrogação... Ela pode ser um teaser, um enigma, a logomarca de um novo projeto. Olha só:

Posso voltar

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

As tragédias particulares

O mundo bonito e colorido que a gente costuma ver deslizando o feed numa rede social, onde pessoas mostram seus melhores ângulos quando estão visitando os melhores lugares e encontram seus melhores sorrisos...

O mundo encantado de pessoas realizadas que fazem o que um dia sonharam e experimentam o que mais desejaram. Onde a fé está sempre acompanhada do milagre e as vitporias podem ser vistas como que etiquetadas na tela de um dispositivo...

É o mundo redondo que sempre gira. onde os dias ruins também aparecem.

Mas quando a melodia não nos agrada, a gente baixa o volume. Quando o brilho e o contraste não estão legais, a gente pula a foto, pula o post. Evitamos falar das derrotas, esperando para mostrar a próxima vitória. E tudo porque rede social na internet a gente pode alimentar assim, afinal elas falam de vida mas não são vida.

Vida é um espaço de tempo recheado de acontecimentos. Muitos dos quais ocorrem de fora pra dentro e, quando chegam na gente, já estão prontos. Nossas chances de escolha não existem. Resta apenas lidar com eles.

Um dia desses eu tava achando que precisava fazer alguns exames com minha esposa para saber se a gente poderia ter filhos. Mas antes de sentar a primeira vez no consultório, ela sentiu algumas coisas diferentes, fez exame e descobriu que já estava grávida! A gente comemorou, viajou no final do ano, fez umas fotos especiais mas não postou.


Nesta aqui, não tínhamos achado o ângulo ideal para destacar as mãos segurando o ventre, onde sabíamos estar nosso primeiro filho. A legenda estava pronta: agora somos três! Mas ainda bem que não postamos.

Deixamos virar o ano e, na primeira ultrassom, descobrimos que eram dois bebês. Portanto, nossa família estaria sendo composta por quatro membros! Continuamos adiando o post...

Tava parecendo que Deus andava nos provocando a entender que não sabemos de nada quando o assunto é vida. E talvez fosse presunçoso demais expor o que andávamos conquistando. Estava tudo acima das nossas metas e planos.

Mas fiz aniversário, estava celebrando a astuciosa vida. Então, por que não admitir que os dias eram de glória e comemorações? Me parecia justo dizer que, naquele mundo colorido das vidas perfeitas que eu deslizava entre os dedos rolando o feed do Instagram, eu também tinha belas conquistas para mostrar.

Mas o mundo encantado, bonito e colorido... É redondo e gira. Os dias ruins também chegam. Geralmente não aparecem porque tentamos esconder.

O mundo girou mais um pouquinho, entramos no 4º mês de gestação e de repente a música da alegria parou de tocar, a cor sumiu e chegou a hora de revelarmos um ângulo ruim.

Uma tal de bolsa estourou antes do tempo e eu vi a água escorrer junto com os maiores sonhos meus e da pessoa que escolhi para amar. Era tanta água, tanta lágrima, tanta frustração. Uma barragem que estourou para ser nossa tragédia particular.

Então voltamos às fotos meio desajeitadas que um dia tentamos tirar para falar de vitória, neste momento em que a contra-gosto degustamos nossa maior derrota.

Mas mesmo assim, o post de agora não é para dizer que perdemos, é para dizer que entendemos que a regência de tudo não é nossa. É para dizer que vamos aguardar as próximas vitórias e enfrentar as próximas derrotas, sabendo que elas vão sempre se alternar. Compondo a verdadeira vida, não editada para redes sociais.

E por isso vou repensar tudo. Vou focar no trabalho, tirar uma licença daqui (internet). E quando voltar (se Deus quiser), será para produzir conteúdo e falar das minhas artes. Quanto à vida e suas glórias e tragédias particulares, provavelmente ficarão em família.

A gratidão de outrora não se perdeu. A generosidade Divina é latente. Deus existe, estou mais convicto ainda. Ele é Deus e é Pai. A última palavra será sempre justa e amorosamente dele.

Até logo!